Quarta-feira, Janeiro 26, 2005


A GRANDE GARAGEM QUE GRAVA RECEBE BAD FOLKS
Um estúdio, uma garagem, boas bandas e boas idéias.

A realização de um projeto cultural que registra áudio e vídeo ao vivo de bandas curitibanas em uma pequena garagem de estúdio com iluminação de qualidade e um pequeno auditório, atravessa o capitalismo, resvala no bom senso e estaciona ao lado da disposição e amor à arte.

O Estúdio Chefatura, através do projeto A Grande Garagem Que Grava, que faz parte da Central Homem de Ferro, uma das casas do projeto Residências Culturais do Novo Rebouças 2004/2005, transformou sua garagem, literalmente, em uma caixa preta para receber as bandas.


A grande garagem gravando (Foto por Theo Marques)


Na inauguração, em dezembro (dia 17), houve show com Maremotos, e agora, na última sexta-feira (21 jan), foi a vez do Bad Folks. A volta de André Scheinkmann (voz, violão e guitarra) de Barcelona, fez com que Cassiano Fagundes (voz e violão), Caio Marques (voz e violão), Guto Gevaerd (voz e baixo) e JC Branco (bateria) voltassem a formação original da banda. O som dos rapazes é o folk, cuja raiz histórica provém dos europeus erradicados nos Estados Unidos, que, após a junção com o blues e o country, formaram o nosso rock´n´roll. Sim, eles, como outros sensatos, veneram Bob Dylan.

A idéia da apresentação do Bad Folks, e de todas as outras bandas que devem tocar em A Grande Garagem Que Grava é a gravação de um CD ao vivo que possa ser vendido logo após o show, em baixa tiragem e sem custo para o artista, o que viabilizaria uma tiragem maior, já por conta da banda. Sensacional.

Com filmagens de Marlon e Carlão, iluminação de Rodrigo Ziokovsky e gravação, mixagem e masterização por Luis Ferreira e Rodrigo Homem Barros Del Rei, o show do Bad Foks começou um pouco mais de 20h e, após algumas repetições para aperfeiçoar a melodia das canções, gravou uma seqüência de canções, com participação especial de Xanda Lemos na faixa "If I See You".


Bad Folks e Xanda Lemos (Foto por Theo Marques)


Segundo o baixista Guto Gevaerd, os CD´s ao vivo estarão à venda após o Carnaval em shows do Bad Folks e contarão com as músicas "Gypsy Fortuneteller" (Caio Marques), que dá nome ao álbum, "Ten Times A Day" (Cassiano Fagundes), "If I See You" (Cassiano Fagundes), "Ordinary Bitch" (Caio Marques), "Coyote" (Cassiano Fagundes) e "Not In This City" (Caio Marques).

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Terça-feira, Janeiro 18, 2005


NERVOSO, PHONOPOP E RELESPÚBLICA
O John Bull Pub recebe três grandes nomes da cena independente na mesma noite

Em um ano especial, onde a esperada reviravolta no cenário musical do planeta é iminente, Curitiba deu mostras cabais (e precisa?) de que está antenada no que há de melhor no rock independente brasileiro. E nem foi preciso o início das especulações referentes ao excelente Curitiba Pop Festival 3 para as boas bandas aportarem por aqui.


NA FNAC

Assim como prometeram no início de dezembro, o Phonopop voltou à cidade neste mês para uma série de apresentações. A primeira foi na Fnac, onde apresentaram, na última quarta-feira, as canções compostas por Fernando Brasil para o novo álbum, que deveria ter chegado às lojas na semana passada, mas que deve sair nesta semana, pelo selo T-Rec, da Indie Records. Além de Fernando Brasil (vocal e guitarra), os integrantes são Ju (guitarra), Daniel Cariello (teclado), Bruno Daher (bateria) e Adriano Ceolin (baixo).


Phonopop na Fnac.


No dia seguinte, o Nervoso também se apresentou na loja curitibana da rede francesa, trazendo na bagagem o disco "Saudade das Minhas Lembranças". O álbum, que conta com a ótima música de trabalho "Já Desmanchei Minha Relação", com um divertido videoclipe em execução na MTV, também revela a ilustre participação de Rodrigo Amarante, na faixa "Mais Justo". Além do faz-tudo André Nervoso, ex-membro do Acabou La Tequila e outras bandas importantes do alternativo carioca, a banda ainda conta com a participação dos músicos Gabriel Thomaz (guitarra), Marcelo Callado (bateria), Pedrão (trompete) e Jenner (samples e loops).


NO JOHN BULL

Na mesma quinta-feira, dia 13, toda a residência das bandas em território curitibano resultou em ótimos shows, com apresentações memoráveis. Entre elas, a da anfitriã Relespública.

O Nervoso, que acabara de sair do pocket-show na Fnac, subiu ao palco, ligou os instrumentos e, mesmo sem passagem de som, começou a tocar. Alguns problemas técnicos (o cabo do baixo teve que ser trocado) e muita disposição acometeram os poucos espectadores que, tímidos, ameaçaram um balançar de neurônios na fascinante "Já Desmanchei Minha Relação". Um set curto, porém emblemático, fez com que a banda saísse do palco sob empolgados aplausos.


Nervoso no John Bull.


O Phonopop mostrou no John Bull a energia que o clima intimista da Fnac não proporcionou. A banda apresentou várias de suas canções, não deixando de lado ótimas covers de Supergrass, The Who e The Beatles, propícias para o clima do recinto. Por mais que a bateria do Moon estivesse escorregando meio metro por pisada no bumbo que o Bruno Daher dava, o show foi uma demonstração da qualidade e consistência musical do grupo. É uma banda que, assim como o Nervoso, merece todos os méritos pelo esforço de viajar até muito longe para mostrar seu trabalho, mesmo sem saber direito o que viria do público e demais pessoas envolvidas com a cena na cidade, além de enfrentar sérias dificuldades (equipamento, transporte...) para abrir o show da Pitty no Caiobá Center Art. Sinceramente, deixamos a desejar no quesito "mérito que a banda merecia". Mas o Phonopop ainda dará muito o quê falar, e terá o merecido reconhecimento logo.


Fernando Brasil nos vocais. Ju e Adriano seguram o bumbo da bateria.


Os anfitriões, a banda Relespública, fecharam a noite mostrando um repertório diferente do que costuma apresentar nos shows que são assistidos "em pé" pela platéia. As excelentes performances de Fábio Elias (vocal e guitarra), Ricardo Bastos (baixo) e Moon (bateria), dão a nítida impressão de estarmos sentados à frente da possível melhor banda do Brasil na atualidade. Tanto em técnica com seus instrumentos, quanto em presença de palco (e de "não-palco", com direito a solos de guitarra em cima da mesa de seu produtor) e o entrosamento depois de mais de 15 anos de banda.


Fábio Elias sola em cima da mesa. Nervoso tira fotos enquanto Fernando Brasil vira o caneco.


Tanto que no meio do show, o Nervoso, que demonstrava claros sinais de exaltação para com a Reles, subiu ao palco berrando "lá menor...", dando as notas do que seria a música para ser executada no improviso. O Fábio Elias conhecia a música, mas Ricardo e Moon ficaram meio perdidos no começo, mas logo demonstraram toda a sintonia entre os integrantes. E a música ficou muito boa. A Reles já está em pré-produção para gravar seu próximo disco. Tudo poderá ser acompanhado pelo site da banda, no Relesdiário. Que 2005 traga os melhores frutos a eles e a todas as bandas que se esforçam para que o independente cresça a cada dia.


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